Para calcular o preço de um serviço sem ter prejuízo, some o custo direto do serviço (horas da equipe, materiais e deslocamento) com a parte das despesas fixas que cabe a ele e divida o total por um índice que já reserva espaço para impostos, taxas e o lucro que você quer. Esse índice se chama markup. Se você só soma uma porcentagem em cima do custo, o imposto e a taxa comem parte do lucro e o serviço rende menos do que parecia.
Este guia serve para quem vende manutenção, instalação, consultoria, limpeza, design, reformas ou qualquer trabalho em que o tempo da equipe é o principal custo. Os valores dos exemplos são fictícios.
O que entra no preço de um serviço
Todo preço precisa pagar quatro coisas:
| Parte do preço | O que é | Exemplos |
|---|---|---|
| Custo direto | O que só existe por causa daquele serviço | Horas da equipe, materiais, peças, terceiros, combustível |
| Parte das despesas fixas | O que a empresa paga todo mês, vendendo ou não | Aluguel, contador, sistemas, telefone, salário do administrativo |
| Impostos e taxas sobre a venda | O que sai do valor recebido | Imposto da nota, tarifa de boleto, PIX ou cartão, comissão do vendedor |
| Lucro | O que sobra para a empresa crescer e para os sócios | Uma porcentagem que você define |
O Sebrae/PR resume o mesmo caminho: primeiro o custo unitário total (custo direto mais a parte das despesas fixas por hora), depois um índice que cobre impostos, taxas, comissões e lucro.
Passo 1: descubra quanto custa uma hora vendável
Em serviço, o recurso que você vende é tempo. Por isso o cálculo começa pelas horas.
- Some o custo mensal de quem executa o serviço: salário, encargos e benefícios. A composição dos encargos depende do regime da empresa: confirme com o seu contador. Se você mesmo executa, use o valor que precisa tirar por mês.
- Conte as horas que de fato dá para vender. Nem toda hora paga é hora cobrada do cliente. Deslocamento, orçamento, reunião interna e administrativo também tomam tempo. O Sebrae/PR usa como exemplo 8 horas por dia em 20 dias, ou 160 horas no mês, e lembra que esse valor-base é o mínimo, sem as despesas fixas e o lucro. Se uma parte dessas horas não é cobrada, divida só pelas horas que você vende.
- Divida o custo pelas horas vendáveis. Esse é o custo direto da hora.
Exemplo: um técnico custa R$ 4.800 por mês para a empresa e vende 120 horas no mês. O custo da hora vendável dele é R$ 4.800 ÷ 120 = R$ 40.
Passo 2: distribua as despesas fixas pelas horas
Some as despesas fixas de um mês normal (ou a média dos últimos três meses) e divida pelas horas vendáveis de toda a equipe.
Exemplo: a empresa tem R$ 6.000 de despesas fixas por mês e vende 120 horas. Cada hora vendida precisa carregar R$ 6.000 ÷ 120 = R$ 50 de despesas fixas.
Repare que, quanto menos horas você vende, mais cada hora precisa pagar. Uma agenda vazia aumenta o custo de cada serviço que você faz.
Passo 3: some o custo total do serviço
Agora, o serviço do exemplo: uma manutenção de 4 horas, com R$ 150 de materiais e R$ 40 de deslocamento.
| Item | Cálculo | Valor |
|---|---|---|
| Horas do técnico | 4 h × R$ 40 | R$ 160 |
| Materiais | R$ 150 | |
| Deslocamento | R$ 40 | |
| Custo direto | R$ 350 | |
| Parte das despesas fixas | 4 h × R$ 50 | R$ 200 |
| Custo total | R$ 550 |
Abaixo de R$ 550, este serviço dá prejuízo antes mesmo de pagar o imposto.
Passo 4: aplique o markup
Os impostos, as taxas, as comissões e o lucro são porcentagens do preço, não do custo. Por isso o certo é dividir, não somar.
Preço = custo total ÷ (1 − soma das porcentagens)
No exemplo, com imposto de 6%, taxa de recebimento de 2% e lucro de 15% (todos números de exemplo), a soma é 23%:
- Preço = R$ 550 ÷ (1 − 0,23) = R$ 550 ÷ 0,77 = R$ 714,29, que você pode arredondar para R$ 715.
- O mesmo resultado sai multiplicando o custo por 1 ÷ 0,77, cerca de 1,30. Esse número é o markup multiplicador.
Conferindo: de R$ 714,29, saem R$ 42,86 de imposto e R$ 14,29 de taxa. Sobram R$ 657,14. Tirando os R$ 550 de custo, ficam R$ 107,14 de lucro, exatamente 15% do preço.
A alíquota real do imposto depende do regime tributário e da atividade da sua empresa. Peça o percentual ao seu contador antes de fazer a conta.
O erro de somar a porcentagem em cima do custo
Muita gente faz R$ 550 + 23% = R$ 676,50. Parece igual, mas não é. Sobre R$ 676,50, o imposto e a taxa somam R$ 54,12. O que sobra de lucro é R$ 72,38, cerca de 10,7% do preço, e não os 15% planejados. Em um mês com dezenas de serviços, essa diferença faz falta.
Passo 5: compare com o mercado e com o valor para o cliente
O cálculo mostra o preço mínimo saudável, não o único preço possível.
- Se o mercado paga mais, você pode cobrar mais, principalmente quando entrega rapidez, garantia ou um resultado que o cliente valoriza.
- Se o mercado paga menos, não baixe o preço no escuro. Veja onde dá para mexer: menos tempo de deslocamento, material equivalente mais barato, mais horas vendidas para diluir as despesas fixas ou um pacote com escopo menor.
- Desconto sai do lucro. No exemplo, um desconto de 15% sobre R$ 714,29 zera o lucro. Saiba o desconto máximo que você aguenta antes de negociar.
Erros comuns que levam ao prejuízo
- Dividir pelo total de horas pagas, e não pelas vendáveis. A hora fica barata demais e o tempo parado não é pago por ninguém.
- Esquecer o deslocamento e o retrabalho. Voltar ao cliente para corrigir algo custa horas, combustível e despesas fixas.
- Nunca revisar o preço. Salários, aluguel e materiais mudam. Refaça a conta pelo menos uma vez por ano, ou sempre que um custo importante subir.
Para conferir o resultado depois de vender, leia como controlar a margem de cada projeto. Para enxergar as despesas fixas do mês num só lugar, veja DRE simplificado. E, na hora de mandar o valor ao cliente, o orçamento de serviços explica o que não pode faltar na proposta.
Preço de serviço no WizGestor
O WizGestor ajuda a montar a conta e a conferir depois:
- Despesas fixas: com as despesas lançadas em categorias, o DRE em Financeiro → DRE mostra quanto saiu em cada categoria no mês e no ano. É o ponto de partida do passo 2.
- Cadastro do serviço: em Cadastros → Serviços, cada serviço tem unidade (por hora, por metro quadrado ou por serviço) e preço padrão. Esse preço já vem preenchido no orçamento, no pedido, na ordem de serviço e na nota, e dá para mudar em cada um. Veja Serviços.
- Proposta: nos orçamentos, o desconto pode ser em reais ou em porcentagem, por item ou no total, com validade da proposta.
- Conferência: em gestão de projetos, o resumo financeiro mostra o valor contratado, o total recebido, o total pago e a Margem (%), com o detalhamento por categoria. Assim você vê se o serviço rendeu o que o preço previa. O passo a passo está em Projetos.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre markup e margem?
O markup é o índice que você aplica sobre o custo para chegar ao preço. A margem é quanto do preço sobra depois dos custos. No exemplo, o markup multiplicador é cerca de 1,30 e o lucro planejado é de 15% do preço.
Posso cobrar só por hora?
Pode, se o cliente aceita. Use o mesmo cálculo para uma hora: custo da hora, mais a parte das despesas fixas por hora, dividido por (1 − impostos, taxas e lucro). Materiais e deslocamento entram à parte.
Qual porcentagem de lucro devo usar?
Não existe um número único: depende do setor, do risco e da concorrência. Comece pelo que a empresa precisa para crescer e pagar os sócios e ajuste depois de comparar com o mercado.
Fontes
Consultado em 23 de outubro de 2026:
- Sebrae/PR, Comunidade Sebrae: Como precificar produtos e serviços com clareza e segurança (custo unitário total e markup para serviços)
- Sebrae/PR: Como calcular o custo da sua hora trabalhada (hora-base com 160 horas no mês)
- Sebrae/PR, Comunidade Sebrae: Preço de venda: como calcular (índice de markup com custos, despesas fixas e lucro em porcentagem)